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Diário de uma tentante #2: O Apoio

· Diário de uma tentante #2: O Apoio ·

14 de agosto de 2018 0 Comments

É difícil seguir uma jornada, como da infertilidade, sozinha. Todo apoio é bem vindo. Família, amigos... mas, e quando esse apoio vira julgamento e fragiliza, ainda mais, a tentante?

Eu tive sorte de ter poucos (e bons) apoiadores, mas, a infelicidade de ter muitos (mesmo!) que julgavam e até diagnosticavam as causas de "ainda não ter engravidado".

Apoio é fundamental nesse processo. Afinal, ninguém quer caminhar sozinho...

 

Existe uma linha tênue entre dar um bom conselho e julgar a falha do outro. Por vezes a gente se pega “tentando ajudar”, mas, será que estamos dando, realmente, apoio?

Falei disso inúmeras vezes no primeiro diário, né?! O apoio dos meus amigos, familiares e, especialmente, meu marido Hugo, me trouxe até aqui. Com a cabeça forte e sem perder a fé.

No começo do processo, antes mesmo de descobrir toda a questão (aprofundadamente, né?!) sobre a SOP e sobre o gene da trombofilia, eu já me culpava pelo fracasso na “missão gravidez”. Por vezes me peguei chorando escondida por mais um (dos milhares) de testes de farmácia mostrarem apenas um risquinho. A sensação de vazio é enorme.

Dividir a dor é difícil. Contar para as pessoas é como se aquela ferida, que fica guardadinha, fosse exposta e todos tivessem o direito de “colocar o dedo”.  No começo da vida à dois é quase impossível não ouvir àquela pergunta: “e agora, quando o bebê vai chegar?”. Eu já tentei todas as respostas: “Ah, quando Deus quiser!”… “No momento estamos curtindo a vida à dois! Vamos deixar mais pra frente!”. E, como meu marido já tem um filho (hoje com 10 anos!), algumas vezes me peguei respondendo: “Não pretendemos ter filho agora, só o João tá ótimo!”.

Contar que estávamos tentando, que eu não engravidava por nada acabou não sendo uma escolha. Sabe aqueles dias que a gente acorda atacada (TPM, né mores?!), então… era justamente em um evento familiar, recheado de tias curiosas! E, mal cheguei, já ouvi a pergunta temida. A resposta saltou da boca: “estamos tentando, mas não consigo engravidar”. Senti aquele silêncio de terror e TODOS (sim, todos!) deram um jeito de sumir do lugar. Aos poucos, recebi mil conselhos: “calma, você engravida logo…”, “você não engravida por ansiedade, aposto!”… “tem certeza que o problema é com você?!”… Enfim, esses e mais centenas de simpatias, receitas caseiras e truques (sim, truques, amiga!) para engravidar mais rápido.  E claro, como boa tentante, fiz tudo! Sem êxito, claro!

Me coloquei, depois disso, contra a parede. Detestei passar por isso e, sim, me peguei várias vezes na posição de juíza dos outros. Julgando fatos que nem deveria estar “metendo meu nariz”. Depois de um (enorme) exame de consciência, jurei pra mim mesma que NUNCA MAIS iria julgar (por menor que fosse!) causas/problemas das amiguinhas…

Engravidar é fácil, né?! Pelo menos deveria ser. Afinal, nascemos prontas para isso. Mas, porque logo comigo? Era esse o meu pensamento toda vez que alguém trazia seus conselhos para mim. Sei que não é por mal, na verdade, essa é a ferramenta para acolher a pobre mulher que não consegue gerar uma criança. Mas, sim, é a pior (PIOR!) forma de tentar apoiar essa mulher…

A frase “sua ansiedade que não deixa você engravidar” é triste. E pior, deixa a CULPA na mulher. Afinal, é a ansiedade dela, certo?

Mas, dentre todas as coisas ruins, tive a sorte de ter por perto as melhores pessoas: meu marido, minha família e minhas amigas. Ah, que SORTE ter tanta gente querida junta!

Apesar de não expor toda a dificuldade que estávamos vivendo desde o primeiro momento, a cada conversa, na hora que fosse mais fácil e menos doloroso contar, tive o apoio que eu precisava. E, pela primeira vez, escutei mais frases positivas do que negativas. Os clichês “sua ansiedade não te deixa engravidar!”, passaram a ser, “Fica calma. Estamos com você pro que precisar!”.  As simpatias e truques viraram conversas longas e acolhedoras. E, até as lágrimas ficaram menos tímidas e demonstraram humanidade, ao invés de tristeza e insegurança. Fui abraçada, à cada conversa e tive forças para avançar cada casinha desse jogo.

Para mim foi muito importante ter essa rede de apoio. Seguir em frente, por vezes, é quase impossível. Imagina sozinha… Ter em quem confiar é fundamental. E, se você é amiga de alguém que está passando por isso, saiba dizer as palavras certas. Troque o julgamento, quase impulsivo, por um sorriso e um abraço. Diga palavras que acalentem, não que ajudem, ainda mais, à sua tentante se culpar. É difícil o processo, emocional e financeiramente falando. As vezes precisamos apenas conversar… E, se ainda assim, você não conseguir ajudar, apenas fale “vou rezar/mandar energias boas para você.” Pronto, já é uma baita ajuda!

 

Sem apoio essa jornada é impossível.

 

(continua)

 

Ps: Tá faltando MUITA gente nessas fotos… mas estão todas no meu coração! <3

Mariane Borsatto

Jornalista de moda e a voz por trás da coluna #InventandoModa na rádio Jovem Pan (Três Rios). Aqui, no meu site, falo de tudo que me inspira: moda, estilo, viagens, lifestyle e, claro, tudo com uma pitada de primeira pessoa.

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