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Diário de uma tentante #1: Descobrindo a Infertilidade

· Diário de uma tentante #1: Descobrindo a Infertilidade ·

6 de agosto de 2018 0 Comments

Um sonho: ser mãe. Uma realidade: 5 anos tentando e nada. Resolvi buscar ajuda e descobri que a Infertilidade me acompanhava e o desafio agora era bem maior do que só conciliar os dias férteis do ciclo...

 

Quando eu era criança queria ser tudo: de professora à astronauta. Cada dia um sonho diferente do meu futuro. Mas, a única coisa que permanecia sempre igual, era a vontade de ser mãe. Eu cresci, fiz Jornalismo, conheci o marido e, enfim, depois de muitos planejamentos sobre carreira e gravidez, começamos a jornada tão esperada: ter um bebê. Ou dois, três…. quantos Deus permitisse. Tentei por 5 anos. Não consegui.

Mas, vamos rebobinar essa história (só um pouquinho…): desde os 15 anos sabia que convivia com um “probleminha comum”, OVÁRIOS POLICÍSITICOS. Sim, aqueles cistos que deixam nosso ciclo uma verdadeira bagunça. Nunca me dei muito bem com pílulas. Passava muito mal e minha ginecologista me passou a Metformina, um remédio para diabéticos que controla a produção de insulina (que colabora muito para a formação dos cistos). Ciclo regulado… Só que não. Mesmo tomando (todos os dias!!!) a medicação, meu ciclo continuava uma bagunça. Engordei mais de 15kg (em plena adolescência), desde que comecei minha luta contra a, agora, SOP (Síndrome de Ovário Policístico). Mas, no auge da minha adolescência, a última coisa que eu pensava/queria era engravidar. Então, “vamos deixar esse papo pra depois, Doutora”.

 

Em 2013, já casada, iniciamos a conversa “filhos”. Criamos uma espécie de agenda para tudo dar certo (para conciliar trabalho/férias/gravidez é preciso planejamento). Iniciamos nosso projeto. Um ano tentando. 365 dias. NADA!

 

O primeiro pensamento é: normal, por anos tomei várias medicações diferentes, alguns anticoncepcionais… meu corpo precisa de um tempo. Passaram 3 anos. Isso mesmo, 1095 dias. NADA! Alguma coisa estava muito errada…

 

Ao longo desse percurso, ouvia: “ah, isso é ansiedade… relaxa que você engravida!”. E, eu me cobrava tanto por isso… Eu tenho (real!) Transtorno de Ansiedade, passei boa parte da minha infância tratando, na adolescência ela voltou, controlei de novo… e agora, será que é a ANSIEDADE que está adiando meu sonho? Não… o buraco era beeeem mais embaixo.

 

Procurei minha médica (agora, outra ginecologista) e começamos a fazer uma espécie de caça ao problema na minha saúde. Partimos do princípio de que a SOP estava me atrapalhando (de novo!), mas, deixamos a porta aberta para novas causas. Mil exames e… nada! Mais uma vez escutei aquela história de “calma, é só relaxar que você engravida…”, mas, mais uma vez, não era só a ansiedade.

 

Só DEUS (sim, só Ele, porque nem meu marido sabe!) quantas noites eu fiquei sem dormir, questionando o porquê daquilo tudo estar acontecendo comigo. SÓ EU NÃO POSSO ENGRAVIDAR NESSE MUNDO? Sofri tanto, chorei tanto…

 

Esgotamos, eu e minha ginecologista, todos os diagnósticos e tratamentos possíveis. Usei de tudo: Duphaston, Clomid, Teste de Fertilidade (do xixi, da saliva…)… NADA! Agora, já era 1825 dias sem o “meu positivo”. Sofri mais ainda.

 

Cada vez que alguém me perguntava “quando o neném vem?”, me dava um misto de tristeza e náuseas… Lembrava de todos os testes de farmácia com um risquinho só, de todos os negativos nos exames de sangue… Resolvi dar um passo adiante: já que naturalmente não consigo, vamos tentar outros caminhos. Adoção? Fertilização? Começamos, eu e marido, em um debate sem fim sobre as possibilidades. Decidimos deixar todas as portas abertas. O que Deus quisesse, a gente aceitava.

 

Adoção nunca foi um tabu pra mim… na verdade, eu sempre (desde criança!) falei que iria ter um bebê “da minha barriga” e outro da “barriga de outra pessoa”. E não falo isso porque está na moda adotar, ou qualquer coisa assim… Falo porque eu realmente acredito que, quando a gente abre o coração para ser mãe, se torna, totalmente, irrelevante de onde vem a criança… é filho da barriga, mas pode ser filho do coração. Mas aquele bichinho da esperança ainda estava aqui, sabe?!

 

Nesse meio tempo, TODAS as minhas amigas/parentes engravidaram… era tanto bebê, chá de bebê, papo sobre bebê… não estava mais conseguindo controlar. Eu ia me deixar levar pela tristeza que tomava conta de mim. PORQUE SÓ EU NÃO POSSO, DEUS?!

 

Em um exame de rotina, encontrei um anjo… na verdade, encontrei uma médica, que me sugeriu um caminho. Me indicou uma especialista em fertilização, a Dra. Leila, minha médica hoje. Fomos (eu e marido!) até ela: uma consulta e pronto… já estava a esperança lá, novamente!

 

Fizemos duas tentativas de coito programado. Medicamentos caros, injeções por dias seguidos, exames em dias alternados, ansiedade… Na primeira tentativa, não passamos da primeira fase. Resolvemos tentar novamente. Na segunda, tudo certo e… NEGATIVO. No dia agendado para fazer o exame, antes mesmo de sair de casa, eu já tinha o meu negativo. Aquele sangramento colocou um ponto final na esperança.

 

Meu mundo, naquele segundo, acabou. O vazio, a tristeza e a angústia estavam de novo dentro da minha casa. Eu já não queria mais aquilo tudo. Eu já sofri tanto… não quero/preciso/mereço mais isso!

No meio disso tudo, novas descobertas: o gene da trombofilia estava em mim. E agora? Impossível engravidar! Mesmo sabendo que existem mil possibilidades, esse fator é um grande dificultador (em muitos aspectos!).  Ouvia tanta gente dizendo um monte de coisas pra me confortar… mas, não era de tudo aquilo que eu precisava. Eu só queria meu positivo. Não tinha. Paciência, né?! Mas, aquele bichinho da esperança continuava lá…

Fiquei uns bons meses (muitos mesmo!) sem procurar a Dra. Leila, até que tive coragem de enfrentar esses medos e levei uma bela lista (à la Mariane!) para acabar de vez com qualquer tipo de dúvida que ainda pudesse me abalar. E ela (queridíssima!) respondeu tudo do jeito que eu mais admiro: preto no branco! Sai de lá reconfortada. E com um novo caminho: rumo à fertilização in vitro.

 

(continua)

13 de fevereiro de 2018

Mariane Borsatto

Jornalista de moda e a voz por trás da coluna #InventandoModa na rádio Jovem Pan (Três Rios). Aqui, no meu site, falo de tudo que me inspira: moda, estilo, viagens, lifestyle e, claro, tudo com uma pitada de primeira pessoa.

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